Esse texto era para ter sido postado no dia 1º de julho, mas, por motivos profissionais + vida + maternidade, está sendo postado hoje. Trago a referência da música de mesmo nome da deusa Cássia Eller (1º de julho), para tratarmos de um assunto que precisa ser falado: a carga mental que sobrecarrega as mulheres.
O termo “carga mental” é usado para descrever o acúmulo de responsabilidades que recaem sobre uma pessoa, normalmente, nós, mulheres. A sociedade espera que sejamos profissionais dedicadas, esposas exemplares, mães pacientes, e exige que façamos tudo às beiras da perfeição, atribuindo-nos rótulos como “insubstituível”, para aumentar ainda mais o peso que carregamos.
Diante dessa cultura estressora, que cultua e faz com que sempre busquemos uma melhor performance, é preciso desfazer o mito da mulher guerreira. Muitas mulheres, mães, que trabalham em jornadas múltiplas e são consideradas “guerreiras”, não raro são mulheres cansadas (com trabalhos e esforços invisibilizados) e adoecidas, que não escolheram estar no front dessas “guerras”.
O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han escreveu um ensaio sobre “A sociedade do cansaço”, a fim de trazer à tona as consequências que o excesso de positividade e a cobrança por desempenho causam no corpo humano. É preciso deixar claro que essa sobrecarga que nos é imposta e a (falta de) saúde mental andam lado a lado. É claro que é bom fazer um esporte e ser saudável; é óbvio que ter uma casa limpa e arrumada é essencial para uma boa vida; e que ter uma vida profissional de sucesso é luxo em uma sociedade como a nossa. Não há questionamento sobre isso, mas o que precisamos fazer, é questionar a quem interessa que façamos algo.
Eu, como esposa e mãe de duas crianças pequenas, sinto-me no lugar de fala para tratar dessa hiper vigilância e de como a carga mental está atrelada a ela. A verdade é que nossa mente não descansa (nem quando dormimos!), estamos sempre pensando no que precisa ser feito e em como fazê-lo da melhor forma possível.
Mas, apesar de tudo ao nosso redor, é importante tentarmos levar a vida de forma mais leve. Está tudo bem não ser perfeita. A arte de equilibrar os pratos, nós dominamos muito bem… embora não devêssemos ser tão boas nisso.

