Justiça para uma mulher

Era uma vez M., uma mulher que nasceu em uma família humilde composta por mãe, pai e uma irmã.

Na adolescência, vivenciou os sintomas e obstáculos que uma gravidez precoce pode causar na vida de uma jovem, e precisou deixar seus estudos (e sonhos!) de lado. “Virou estatística”, é o que muitos diriam, já que gravidez e a maternidade precoce trazem custos exorbitantes (e geralmente irreversíveis) às oportunidades das mulheres.

A evasão escolar dessas adolescentes, não raro, as leva a relacionamentos abusivos, já que não alcançam níveis de escolaridade que poderiam lhes proporcionar mais independência financeira e/ou emocional, e por vezes vivem em situação de vulnerabilidade por toda a vida.

Mas, contrariando as estatísticas, algum tempo depois do parto, sua família lhe deu o apoio necessário (e fundamental) para que essa jovem-mãe-solo pudesse voltar a estudar e buscar melhores condições de vida.

Paralelamente à maternidade, dedicou-se aos estudos e se formou em uma das melhores universidades particulares do país (com bolsa de 100%, pois não tinha condições de arcar com as altas mensalidades). Com o diploma no bolso e suas experiências de vida, progrediu profissionalmente na sua carreira, até que, em uma noite, após um compromisso de trabalho, foi assassinada com 13 tiros vindos da arma de um homem.

“M.” era Marielle Franco, 2ª vereadora mais votada no país nas eleições de 2016. Uma mãe solo, vinda da periferia, que fazia a voz feminina ecoar no plenário, predominantemente masculino, da ALERJ.

Esse texto não tem condão partidário, mas sim político. “Político” no sentido de dizer que a violência contra a mulher não para, e que, infelizmente, não estamos seguras em nenhum lugar. A vítima? Uma mulher/mãe solo, que superou expectativas, e se destacou na profissão que escolheu. Os culpados? Homens (mandantes, facilitadores, executores… todos homens).

É preciso tirar a venda e perceber que, por mais que tenha sido considerado um “crime político”, poderia ser com qualquer uma de nós. Precisamos estar atentas, pois quando uma mulher é agredida, violentada ou morta, TODAS SOMOS. Independentemente de qualquer coisa, devemos florescer juntas sob o manto da sororidade e CONSTRUIR NOSSOS CAMINHOS COM FLORES, mesmo que tais flores sejam rosas com espinhos capazes de nos proteger do mal.

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