No dia em que acontece o 1° turno das eleições, é importante falarmos de um tema ainda pouco discutido: violência de gênero na política.
Esse tipo de violência é muito comum nas suas duas vertentes: a violência privada (que acontece dentro das casas das eleitoras) e a violência pública (que atinge as candidatas).
Com toda certeza você já foi ou conhece alguma mulher que já foi conduzida a votar num determinado candidato porque alguma figura masculina (pai, avô, irmão, marido, tio…) disse que é o melhor, ou a obrigou diretamente; isso inclui as dimensões de poder também: não é raro vermos patrões direcionarem os votos de seus empregados, ou mesmo líderes religiosos dizendo que “o candidato X é de Deus” e “quem não votar no candidato Y, merece ir para o inferno”. É pesado, eu sei. Mas é muito mais comum do que parece, não é de hoje que homens usam seus postos de poder para obrigar pessoas a fazerem o que ELES consideram ser o melhor.
Em 2024 houve a maior proporção de candidaturas de mulheres dos últimos 24 anos! Mas quando partimos para a violência pública de gênero na política, vemos candidatas menosprezadas, e muitas têm suas vidas privadas expostas como forma de denegrir sua imagem publicamente. Enquanto homens são atacados pelo que fizeram/deixaram de fazer como candidatos, mais uma vez mulheres são alvos de ataques misóginos que colocam em pauta seus atributos físicos e intelectuais. Essa violência atinge a todas nós, mesmo sem sermos candidatas a cargos políticos.
Política é representatividade, para o bem ou para o mal. Então, faça valer o seu voto, mulher! Busque quem representa seus ideais, seus sonhos (e de mais ninguém). Sabemos como é difícil sair do lugar de violência (qualquer que seja), mas busque propostas que amplifiquem seus direitos (luta por creche, melhores salários, mais empregos, saúde, dignidade menstrual…) com tudo o que lhe diz respeito.
“Um povo que não conhece sua história está fadado a repeti-la.”
Hoje apenas 15% das candidaturas às Prefeituras são femininas. É claro que é difícil um número tão pequeno representar a diversidade que consiste em “ser mulher” no Brasil. Mas aí que esses 2 tipos de violência de gênero convergem: se as mulheres são romperem com o ciclo privado e escolherem em quem votar de forma independente, consciente e focadas em resolver demandas que importam para suas próprias vidas, a representação pública de candidatas (e eleitas) continuará insuficiente para romper com o ciclo público de preconceito, menosprezo e misoginia contra as mulheres que ousam concorrer (e ganhar).
Enquanto os homens continuarem exercendo seus podres poderes dentro e fora de casa, nós, mulheres, continuaremos lutando pela representatividade na política e na vida.

